segunda-feira, 9 de abril de 2012

HP SUCKS!!

Meu laptop novo morreu, do nada, semana passada. 4 semanas depois de vencida a garantia do mesmo. O tamanho da minha raiva pela HP e todos os seus produtos nao pode ser medido em palavras. Eu teria que comecar todo um novo vocabulario e sendo uma moca de familia, uma dama nao fala essas coisas que eu ando pensando.

O que eu queria mesmo era roubar o controle remoto do CEO da Hp e ficar passando na frente da casa dele so pra mudar o canal.

Na impossibilidade geografica disso acontecer, eu divido com vcs o singelo email que mandei, atraves de papis, para a assessoria de imprensa deles e peco que, se alguem tiver conexoes ou for da imprensa e precisa de pauta ou se quiser fazer uma boa acao, divulgue minha "causa"!

Ou simplesmente leia o meu desabafo e partilhe da minha frustracao!

" Prezado senhor,
O email que meu pai mandou anteriormente falha em transmitir toda a minha revolta com a marca Hewllet-Packard e o porque de estarmos buscando a imprensa nessa caso. Veja so: esse laptop foi comprado no final de fevereiro do ano passado. Na epoca, ele era o top de linha da HP e quase o computador mais caro da loja. Foi comprado a vista, baseado na confianca que tinhamos na marca, com a esperanca que um produto tao bom e tao caro durasse tempo suficiente para recuperarmos o investimento feito. Nao sei vc, mas eu nao tenho $3400 todo ano disponivel para trocar de laptop. Meu carro aqui na Nova Zelandia custou $1.800 dois anos atras e ate agora nao deu problema nenhum.
Esse laptop nao e o meu primeiro computador, eu nao nasci ontem e depois de algumas dores de cabeca anteriores, nos aprendemos a licao. Esse laptop funciona perfeitamente, sem lentidao. E usado para texto, facebook, skype. Nunca foi superutilizado, ninguem joga games ou passa horas assistindo videos; eu fazia back-up, limpeza e desfragmentacao regularmente. Desligado toda noite. Eu pago Norton antivirus para evitar problemas e ele nunca detectou nada. Ele mora em cima de um cooler - depois de uma experiencia anterior com super aquecimento da placa mae - 24h por dia. Nunca e usado "no colo", somente em cima da escrivaninha. Nunca caiu, foi batido ou mesmo viajou, alem de ter saido do Brasil. A bateria durava mais de 3h em uso.
Nao existe NENHUMA explicacao plausivel para a falha apresentada. O tecnico me disse, envergonhado, que essas coisas simplesmente acontecem. Eu estava no meio de uma ligacao com a sogra no skype quando o computador escureceu, desligou e nunca mais ligou. Sem sintomas, sem super aquecimento, sem nada. Um computador de 13 meses de idade.
Eu lhe pergunto: qual outra explicacao, alem de ma-fe e mediocridade da HP existe para a falha do meu computador? Porque o tecnico nao encontrou nenhuma. O que ele encontrou foi um preco de $1200 a $2000 para trocar a placa mae e o processador. que tambem deve estar morto, porque normalmente quando a placa mae queima, ela leva junto o processor, mas nao da pra saber ate consertar a placa mae. Voce tem $2000 sobrando pra consertar meu laptop? Aposto que o CEO da HP tem, mas ele deve usar um MacBook. Se eu fosse ele, teria vergonha tambem.
A cereja do sundae e a seguinte: isso tudo ocorreu 4 semanas apos o termino da garantia internacional. 4 semanas. 4 semanas e a HP da Nova Zelandia, atraves do tecnico, me disse que nao ha nada que eles podem fazer, exceto me aconselhar a comprar um laptop novo, porque nao vale a pena consertar.
Voce gostaria de jogar o seu carro no lixo 4 semanas depois de encerrada a garantia? Sua geladeira novinha, linda, aquela que faz gelo na porta e que vc trabalhou que nem um condenado pra pagar? Seu computador? Porque e o que eu vou fazer, visto que nao tenho dinheiro para conserta-lo. Vou jogar fora o dinheiro que estava na minha poupanca mais a ajuda do meu pai. No caminho da lata do lixo eu vou contar para todo mundo que eu encontrar essa historinha e rezar para que nenhum amigo meu compre outro produto da HP. Pros inimigos, vou recomendar a linha toda, pra eles passarem a raiva que eu estou sentindo.
Voce nao imagina o tamanho da minha frustracao e o desapontamento puro que eu estou sentindo em ter comprado um produto HP. Preferia ter comprado um computador frankenstein na Rua Santa Efigenia. Porque uma empresa desse porte paga um funcionario para produzir e vender um produto mediocre? Porque uma empresa de renome se presta a comprar ou produzir pecas sem qualidade?? E depois se esquiva da responsabilidade? Na minha familia, isso se chama falta de carater.
Estou enojada. Enojada e terrivelmente decepcionada com o produto que eu paguei tao caro e que nao vale nada. A HP deve pagar muito bem seus funcionarios, para acreditar que todos podem trocar de laptop todo ano quando acaba a garantia.
Garantia pra mim nao tem prazo de validade. Se voce acredita que produz um produto bom, vai colocar sua mao no fogo por ele ate o fim.
Obrigada por ler este email e entender minha frustracao,
Ponho-me a sua disposicao,
Maria Fernanda T M Macario "
 
Grata pela atencao! =)


terça-feira, 6 de março de 2012

O post mais pessoal de todos.

*Respira fundo. Inhale. Exhale*

Não vai ser fácil.

Depressão. Eu tenho. (tam-tam-taaaaammmm)
Suspeitava e depois de uma conversa com o meu médico e um encaminhamento para uma enfermeira-terapeuta (brief counselling, eles chamam), algumas consultas feitas, agora eu tenho também minha própria cartelinha de fluoxetina, dosagem mínima, por um mês.

(Ok mãe, pai, não adianta me ligar agora que é de madrugada aqui e eu estou dormindo.)

Eu estou melhor. Estou melhorando. Os dias realmente ruins já passaram e os bons vêm com mais frequência.

Eu queria escrever esse post por mim, para ver se "no papel", isso tudo deixa de ser tão tabu, tão assustador, tão grande. Por que não é, não deve ser. É um desequilíbrio químico. Não é um sinal que eu sou infeliz, que minha vida é ruim, que meu marido me bate ou que o cachorro me odeia. Não é culpa dos meus maravilhosos pais, eles fizeram tudo certo.

Não é minha culpa, nem do maridão - o santo, nem do cachorro.
Eu não sou preguiçosa. Não sou chata, esnobe, tímida, muda, burra.

É um desequilíbrio químico: meu cérebro não está conseguindo processar as sinapses felizes e me larga só com as outras. Isso tem acontecido desde maio passado, mais ou menos. Bem devagarinho, começa como saudade, depois uma tristeza inexplicável que não vai embora nunca mais e lá para outubro a sensação era estar na areia movediça até o pescoço, morna, confortável, absolutamente imóvel e imobilizada, sem motivo e sem razão de ser.

Em janeiro, decidi que não dava mais, que eu queria muito rir de novo, então procurei meu médico. Comecei a terapia em fevereiro, uma escada pra sair da areia movediça.

De novo, estou melhorando. Por recomendação médica, converso o máximo possível com minhas amigas. Ainda bem que a Mariana aprendeu a usar Skype, 4 anos depois. Ela, que é minha fonte de conhecimento médico, me tranquilizou e disse que eu não sou louca. As meninas da Casa, lindas desconhecidas, me certificaram que eu não sou a única louca. Minhas amigas kiwis vêm me visitar e não questionam o fato de eu ter passado os últimos 7 meses sem trabalhar. Elas vêm sem agenda e sem julgamento.

Da maneira mais difícil, separei o joio do trigo quando deixei de ter disposição e meios. O joio nunca me perguntou como eu estava ou se eu precisava de ajuda, simplesmente assumiu que eu havia me tornado uma doméstica glorificada, teúda e manteúda, uma chata, um peso morto que não compra mais nada. O trigo simplesmente está, em emails, telefones, abraços virtuais, presentes pelo correio, mensagens, lembranças.

Vamos lá, mais uma vez caso tenha passado batido: estou melhorando. Não vou morrer disso, nem vou me tornar uma doida dependente de remédios. Estou melhorando. Se vc me perguntar, prefiro não falar sobre isso. Prefiro escrever. Por quê? Porque eu choro. Involuntariamente.

Então de novo: estou melhorando. É um pobrema na fiação e eu continuo a mesma pessoa de sempre. Mesmíssima, juro. A razão pela qual eu não falei sobre isso antes era vergonha. Vergonha mesmo. Agora eu não tenho mais vergonha, porque estou cuidando do problema e daqui uns meses, não quero nem lembrar dessa fase. Não quero nunca mais estar assim de novo, vivendo essa meia-vida.


Assunto encerrado. Grata pela atenção.







sábado, 25 de fevereiro de 2012

Da morte e outros problemas

Semana passada, um dos maiores e melhores amigos do meu pai faleceu, após uma breve luta contra essa praga maldita que é o câncer. Eu tinha vários "ângulos" para escrever esse post e até agora não consegui me decidir: sobre como ele tinha quase a mesma idade do meu pai e isso me afeta incrivelmente, isso de lidar com a mortalidade alheia; sobre como a nossa família pequena era extendida aos finais de semana quando íamos para o longíguo Tatuapé e brincávamos sem parar com a Mari e a Roberta, suas duas filhas lindas, que também regulam de idade comigo e com meu irmão; sobre como é insuportavelmente difícil receber uma notícia dessas - por qualquer meio - e não ter como abraçar ninguém nem ajudar meu pai a passar por isso. Sobre como é insuportavelmente difícil receber essas notícias e não poder fazer nada, nadica de nada, a não ser escrever, escrever uma msg de texto, um status update no facebook, um email, um post no blog.

Sobre como o Tio Dé, Edélcio Teixeira, era uma pessoa iluminada e como ele e sua família igualmente iluminada fizeram parte da nosso história.

Da maneira mais egoísta possivel, resolvi escrever, como meu irmão fez, pra Mariana e pra Roberta, porque essa é perspectiva que conheço, a do filho. Pior, a da filha que teme a cada dia receber um telefonema fatídico, um que certamente virá um dia, tão certo como o imposto recolhido, morte e impostos. A certeza indubitável. Para um filho pródigo, distante, o medo de não dizer adeus. O medo da viagem de muitas horas para encontrar uma tristeza infinita.

Mari e Rô, nós nunca estivemos perto, mas participamos, ao longo desses quase 30 anos, das vidas alheias, primeiras comunhões, recitais de dança, os oficiais e os da sala, aniversários importantes, domingos de sol, domingos de chuva, o aprendizado lento da arte de fazer e comer miojo - muita água, pouca água, requeijão, algumas viagens inesquecíveis e ainda agora, casamentos. Nós acompanhamos umas às outras todas as vezes que os pais chegavam em casa, às vezes não tão felizes assim afinal a vida não foi sempre fácil, e diziam que haviam estado com o outro "pai" e a pergunta "Como estão as meninas?" sempre seguia. Algumas fotos de vez em quando. Nossas vidas seguem à distância um paralelo de carinho, amizade e um laço que nunca vai se desfazer, porque o seu pai um dia foi meu pai também, a sua mãe um dia cuidou dos meus dodóis também. Um laço formado por uma amizade muito maior que a nossa, infinda e agora eterna. Hoje eu quero que o meu pai seja seu também, para que vcs nunca deixem de ser abraçadas por uma barba grisalha bigoduda e por uma risada grave, aquela que enche a sala de música.

Digam onde dói e eu limparei suas feridas. Somos irmãs distantes, de pais irmãos. 
O seu pai foi mesmo uma criatura iluminada e fez de nós sortudos um pouco melhores, um pouco mais felizes.

Não consigo colocar aqui o tamanho do sentimento de impotência que tenho, estar longe em horas como essa, e trocaria todas as nova-zelândias do mundo para estar aí. Perdão.

Saibam que, como meu pai, minha mãe e meu irmão, já chorei pela injustíssima morte do seu pai, mas também sorri, como estou sorrindo agora, ao lembrar de tantos momentos com vocês todos. Obrigada.

Seremos sempre irmãs distantes, porque fardo dividido é fardo mais leve. Contem sempre comigo.

Um beijo,
Fê =)










segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Falando nisso

A expressão "falando nisso" na minha família é usada como licença poética para mudar completamente de assunto, de pato pra ganso, como se diz a sabedoria popular. O que significa que esse post é um tanto diferente, é quase uma carta de revolta. Eu não curto discussões, não vou me alongar nem responder possíveis comentários. É isso o que eu acho sobre o assunto e se vc se ofende, perdão. Não vou mudar de idéia. Fique à vontade pra não ler.

Falando em sabedoria popular, começarei a minha digressão lembrando os populares que não assisto mais o Jornal Nacional, logo, não estou totalmente inteirada dos dramas que assolam a nação tupiniquim. Só sei que, graças a Deus, ninguém na NZ ouviu falar do Michel Teló e que a minha dose de informação vêm (sou pró-pré-reforma-gramatical) de sites que incluem em sua página inicial reportagens sobre o BBB ou o homem que tem uma língua gigante. Tirem suas próprias conclusões.

A minha informação também vem, em ondas frequentes, do facebook.
O que me leva ao assunto: sacolinhas plásticas.

Meu fb está sendo inundado de compartilhamentos e posts sobre como é difícil fazer compras sem sacolinhas plásticas, que os supermercados estão querendo lucrar com a venda de sacolinhas, que deve ser oferecida uma substituição da sacolinha plástica e até uns que dizem que a medida é totalmente ineficiente porque ninguém lembrou de tirar também as sacolinhas plásticas da seção de frutas e verduras e do açougue.

Guess what??!?!?

 Mudança é difícil pra 98% da população. 99% da população considera "reclamar" um esporte nacional. 95% da população acha que o capitalismo está por trás de tudo e que Ronald McDonald quer ser presidente da Europa. *

Get over yourselves, people!!!!!! É só uma sacolinha plástica!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Parem de fazer tanto drama! O seu lixo do banheiro NÃO precisa de uma sacolinha. O seu lixo da cozinha NÃO precisa de uma sacolinha. Você NÃO precisa de uma sacolinha pra levar uma cebola pra casa.

O intuito desse protocolo é reduzir a quantidade de sacolas plásticas nos lixões e a emissão de carbono proveniente da produção das mesmas. Substituir a bendita não resolve o problema, a não ser que você tenha um latão de composto orgânico no seu apartamento de 45m2, você tem? Porque dificilmente ela vai ser propriamente decomposta num lixão, do lado da pilha que vc jogou fora semana passada. E papel também ocupa espaço

Compre 4 sacolas reutilizáveis. Eu tenho certeza absoluta que não fazer um rombo no seu orçamento e vai resolver o seu problema. Cada uma custa o preço de uma coca-cola. Use caixas pra transportar compras maiores. Leve pro supermercado as sacolinhas de plástico e papel que vc já tem em casa - como assim, OMG, a vergonha??!!!!!!
Vergonha é usar uma sacolinha de plástico pra embrulhar um cacho de banana depois colocá-la dentro de outra sacola plástica, ou duas pra não rasgar. Vergonha é colocar um pacote de papel higiênico dentro de uma sacola plástica. Vergonha é achar que o lixo que você produz todo dia, cada balinha que vc come, magicamente desaparece carregado por elfos.

Páre de reclamar que "o supermercado só quer fazer lucro". Lógico que eles querem ter lucro, é um comércio, não uma casa de caridade. O que vc pode fazer -  e eu sei que funciona e existe e ninguém aqui reclama de pagar $0.20 por uma sacolinha - é protestar, reclamar, insistir e fazer com que o seu supermercado reverta a renda oriunda da venda das sacolinhas para uma instituição beneficente. Vai lá ou deixe de ir. Deixe de ser mente fechada, preguiçoso. Não espere que o supermercado resolva o seu problema. O problema deles acaba quando você paga a sua compra. A partir daí, o pobrema é todo seu.

Compre uma sacola de pano, deixe no seu carro, outra dobradinha dentro da bolsa, mais umas 3 na gaveta da cozinha. Ao invés de rasgar o plástico, tire o nó e leve a sacolinha de volta pra colocar suas maçãs no supermercado. Leve 2 minutos a mais no seu dia para lidar com o seu lixo, jogue o conteúdo do banheiro, do lixinho da pia, diretamente no latão e pronto. Não mata ninguém, juro. Não é nojento, não é anti-higiênico (a não ser que vc não lave as mãos depois), não é nada, é só mais um processo de limpeza.

Não estou falando que vc deve abandonar a sacolinha plástica em volta do frango, aquela que impede a contaminação das ameixas com salmonela letal, ou deixar de recolher o cocô do seu cachorro na rua porque gasta sacolinha. Estou falando de bom senso.

Você não precisa de tantas sacolinhas plásticas. E a única razão pela qual eu falo com tanta propriedade e com tanta paixão sobre esse assunto é a experiência. Aqui na Nova Zelândia, não é lei esse negócio de não distribuir sacolinhas. É BOM SENSO. Bom senso. Uma rede de supermercado ainda distribui, mas a imensa maioria leva suas sacolas de casa. Todas as lojas perguntam se vc realmente precisa de uma sacola pra carregar uma barra de chocolate ou um edredon. O outro mercado não distribui, cobra $0.10 por sacola, mas oferece caixas. Muitas pessoas levam suas compras no carrinho - sem sacola - e colocam direto no porta-malas. Choque!!! E a maior cadeia de lojas de departamento reverte a renda da venda de sacolinhas para caridade. Eu possuo 6 sacolas reutilizáveis, feitas de tnt (baratinho na 25 de março - fica a dica se vc é prendada) e tenho até uma que é térmica - muito prática pra quem mora a 30km do supermercado e compra congelados.

4 anos. Eu tenho essas sacolas a quase 4 anos. Você acha que eu estou até agora me lamentando os $2. que eu paguei em cada uma delas? Eu separo o meu lixo reciclável e eu mesma tenho que levar na cooperativa e jogar separadinho. Eu mesma tenho que levar meu lixo orgânico até um buracão no fim da fazenda, lá onde ficam as vacas mortas, e jogar fora. Periodicamente, esse buraco é queimado e depois tampado, vira pasto de novo. Nós produzimos aproximadamente 50litros de lixo por quinzena.

Meu ponto é, existem opções, muitas opções. A maioria exige que vc se esforce um pouquinho.

façameofavor. Grow up, get over youself and most importantly - Pick up after yourself.



*estatísticas totalmente inventadas da minha cabeça.

Pronto, momento revolta passou. 



domingo, 22 de janeiro de 2012

Há flores por todos os lado

Antes de começar esse post, que está querendo sair já faz um tempo, eu vou aproveitar para pedir desculpas por duas coisas: número 1 - post deprimente de Natal. Perdão, ninguém merece uma doida acabando com o espírito do bom velhinho. Segundo semestre não foi fácil para essa doida aqui, mas estamos tentando resolver os pobrema. Número 2 (hummm)- número reduzido de posts em 2011. 5 para ser mais exata. Não dá nem um post a cada dois meses. Eu não tenho uma legião de seguidores, na verdade tenho uma bandinha, uns gatos pingados de seguidores, mas 5 posts é até falta de educação. Perdão.

Agora, voltando ao assunto.
Acho que nem cheguei a contar que nós mudamos de fazenda e casa em julho - vide perdão número 2. Essa nova casinha, linda limpa e novinha, tem um quintalzão de grama todo cercado, alegria do cachorro. E uma carreira de terra ao redor, perfeita pra plantar. Então finalmente depois de quase 4 anos de NZ, cujo esporte nacional de sábado é cortar a grama, nós temos um jardim pra chamar de nosso!

Nos armamos de sementes, mudas, garfinhos, pazinhas, luvas e zero conhecimento.
Na carreira perto do portão, segundo a superstição, plantamos lavanda e alecrim. O alecrim, pra ser sincera, não está lá muito contente, mas a lavanda já se espalhou e dá flores e perfuma a entrada. No mesmo pedaço, de sementes nasceram a salsinha crespa que está tão grande e pesada, uma mini-floresta, e a cebolinha, fininha e suave, cada vez que se corta um talinho, nascem mais uma dúzia e ela cresce linda. A semente de pimenta não vingou, talvez  tenha sido excesso de mau-olhado, talvez tenha sido o gato que fez xixi em cima.





E essa última foto, entre a salsinha e a lavanda, mora a batata. Batatas que ganhamos no começo do ano e ficaram meses dentro de uma sacola escura, criando raízes e que eu eventualmente coloquei na terra e olhaí o que aconteceu: um arbusto de batata! Segundo informações confiáveis,  o procedimento é esperar as flores secarem e as folhas começarem a escurecer pra cavar as batatas e solucionar a dúvida que não nos deixa dormir à noite: quando se planta uma batata meio velha, se colhe a mesma batata ou ela se reproduz em uma nova batata? Ou mais batatinhas que espalham a rama pelo chão?? Menininha quando dorme põe a mão no coração?

Enfim, são muitas as dúvidas que cercam o mundo da jardinagem amadora.

Continuando:  do outro lado da porta, virando a esquina da casa, maridão construiu um novo espacinho pra plantar, de tijolos e um saco de terra. Nesse espacinho que nós claramente superestimamos, plantamos mudas de coentro, salsinha italiana lisa, hortelã, abobrinha e tomates.

Isso tudo começou a crescer desenfreadamente e agora o coentro já está do tamanho de uma árvore, a salsinha quer fugir pela lateral, a menta luta bravamente por espaço, a abobrinha coitada está sendo comida por bichinhos anônimos e o tomate, depois de orientação da Sheryl, foi amarrado em estacas e já tem 8 ou nove tomatinhos em seu caule, de tamanhos variando entre ameixa e azeitona, verdinhos, cujo desenvolvimento eu acompanho ansiosamente. Estou quase - bem perto, na verdade - dando nomes para os tomatinhos.

 Abobrinha, já comi 3 e tem mais umas duas lá, escondidas, crescendo. Salsinha em todas as refeições, mais um pote de pesto e nada dela acabar.

Talvez seja a alegria mais simples do mundo, definitivamente a mais antiga, essa de comer algo que vc escolheu, plantou, regou, colheu.

A horta. As florzinhas brancas são coentro.

Hortelã 

Abobrinha
 
Tomates

Florzinhas do tomate

Gato. Esse eu não plantei, mas ele fica bem à vontade escondido na salsinha












domingo, 18 de dezembro de 2011

"Have yourself a merry little christmas

Let your heart be light.
From now on
Our troubles will be out of sight."

Certos estavam os Maias, que resolveram acabar com o calendário quando lhes deu na veneta. Eu, por exemplo, adoraria encerrar meu ano no Halloween e começar de novo em janeiro.

Não me levem a mal sagitarianos, mas novembro e dezembro carregam por si só muito pressão, muita responsabilidade.

E se você mora longe, carregam também um tipo todo especial de saudade e frustração e tristeza. 
Quando criança, Natal é férias da escola, piscina todo dia, agitação, presente, papai noel, especial da Xuxa, primas, primos, tios, tias, vó, peru, comida, missa do galo. Quando quase-adulto, é ajudar a mãe a cozinhar, montar a árvore, ir na missa com amiga, comprar presentes pra todo mundo com um orçamento limitadíssimo de mesada juntada e criatividade ilimitada, é querer a última novidade em eletrônicos, ir no supermercado correndo porque acabou a manteiga e aguentar a fila, é rir de dobrar, fazer ceia com os amigos da escola, fingir que é adulto.

Hoje, adulta de meia tigela, é lembrar e fingir. Lembrar disso tudo e ficar absurdamente triste pq não existe mais razão de comemorar o Natal se não há pai, mãe, irmão, cunhada, tia, gata. Fingir que mandar presentes comprados com dois meses de antecedencia vão estar embaixo da árvore, fingir que skype é igual, fingir que tudo isso tem sentido. Fingir que é a mesma coisa.

É por isso que todo ano quero pular o Natal e fazer de conta que é só um dia normal, mas existe esse complô universal que me impede. Então eu compro alguns presentes, monto a árvore, desejo feliz natal pra moça do banco, arrumo até um vestido novo pra usar na pseudo-ceia-churrasco-todo-mundo-tem-que-trabalhar-amanhã e fico até feliz quando recebo meu presente de amigo secreto de alguém que na verdade não me conhece e nunca me viu de pijama, descabelada ou com rímel escorrido.

A única parte que me completa é escrever os cartões. Eu faço a lista e sempre acho que dá pra encaixar mais um ou outro, caço os endereços, compro os cartões de insituições de caridade, me organizo e sento pra escrever. Aí eu penso em cada um, cada recipiente, como eles estão, como vão ser suas festas, se vão trabalhar, se estão esperando férias, se estão grávidos, se estão felizes, se perderam alguém, se o ano foi difícil, se foram abençoados com boas novas. Então eu desejo, com tudo o que tenho, que o próximo ano seja melhor e o que natal seja repleto de alegria e que estejam com suas famílias e verdadeiros amigos.

Desejo, com tudo o que tenho, que você não precise fingir que gosta desse Natal de longe, fingir que acha a missa até bonita e que você se contenta com bife, quando o que você mais queria na vida era um pedacinho de peru.

Desejo que, talvez no próximo, eu tenha um bom motivo pra acreditar de novo em Papai Noel e pra recriar com toda a minha famíla a mágica perdida em algum lugar entre a minha infância e a próxima geração.

"I'll be home for Christmas, if only in my dreams"










segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Christchurch e a tiazinha do cahorro-quente

Em setembro do ano passado, nós passamos por um terremoto. Em fevereiro desse ano, enquanto nós dormíamos calorentos no Brasil, na véspera de embarcar em inédita viagem de navio, aconteceu outro. Pior, bem pior. Morreram muitas pessoas, muitas outras ficaram sem casa, sem chão, sem sanidade, sem seus negócios e à mercê das atarefadas companhias de seguro e da comissão de recuperação do terremoto (E abro um parênteses para dizer que a EQC e a CERA, mesmo em seu estado mais abestalhado e atarantado de queixas da segunda maior cidade da NZ, foi muito - mas muito - mais eficiente do que qualquer repartição pública no Brasil. Principalmente aquelas que lidam com devolver os direitos do povo e resolver problemas.). Esse segundo terremoto, com uma precisão terrível, destruiu o centro da cidade e a parte litorânea, onde ficam as placas tetônicas. Pense assim: seria como um terremoto destruir a Av. Paulista, mais ou menos até e incluindo o Ibirapuera.

Essa foto do início do post foi tirada em 2008, na minha primeira visita à Chch, aquele dia que a gente quase se perdeu por causa do Juliano.
A Catedral, instalada na sua própria praça, com uma feirinha, com trailers de comida, com uma Starbucks que tinha os atendentes mais simpáticos, com o prédio amado-odiado da Imigração, com turistas argentinos, chineses, alemães, americanos, brasileiros, japoneses em bando, artistas, profetas, banda de gaita de fole da polícia, festas, festivais, rinque de patinação no gelo, Ellerslie flower show, banco de dinheiro e de sentar, lojas, música ambiente, segurança.

Incontáveis vezes nós fomos pra Chch e passeamos na praça, no centro, na Colombo St., na High St., com motivo ou sem, pra levar mais um brasileiro recém-chegado, pra resolver assuntos imigratísticos, pra aproveitar liquidação, pra comprar presentes de natal, pra tirar foto, pra comer cachorro quente, pra mostrar pros pais e tirar foto na frente do fusca, fomos de carro em bando ou de ônibus sozinha. Pra comemorar meu aniversário. Pra tudo e pra nada.
Pra comprar meu vestido de noiva.
Quando voltamos, depois do terremoto, o centro ainda estava fechado, trânsito proibido com grades em volta, impedindo a visitação mas não a vista das ruínas, e nós nos contentamos com Riccarton.

Aproximada três semanas atrás, foi reaberto o que era chamado de "shopping a céu aberto", Cashel St. Mall, ali do ladinho da catedral, e também a Ballantynes - loja de departamento, epicentro do luxo e da delicadeza. Hoje nós tivemos a oportunidade de ir visitar.

Ainda não está tudo recuperado e há muito trabalho a ser feito, prédios ícones a serem demolidos. O trânsito ainda é um nó. Ainda há cercas de madeira em volta dos guindastes que trabalham incansáveis. Há painéis de acrílico transparente pra matar a curiosidade da obra. Hoje houveram também as lágrimas surpresas de saudade de tantas lembranças feitas ali e de dor ao ver uma cidade machucada. Porque na loja hoje abandonada havia uma foto minha no dia mais feliz da minha vida, com um vestido comprado depois de muitas horas de decisão intercontinental e de bater perna.
Porque ainda outro dia, com marido, pai e mãe, eu chorei na catedral de alegria e de benção, a catedral que foi dessacrada e será demolida pedra por pedra.
Porque a gente não consegue mais, de memória, preencher as lacunas de lojas e cafés faltando nas ruas.

Mas também porque a alma ainda está lá, nascendo em contêiners, estranhamente eficaz e moderna, limpa, trazendo as pessoas de volta pro machucado, descolorindo os hematomas, colorindo as novas calçadas.

Esse ano não faltaram as lindas árvores de natal da Ballantynes, pequenos luxos e balcões de maquiagem que eu nunca vou comprar. Algumas lojas já reabertas, cafés com turistas, ano que vem vai ser melhor. 

Porque hoje a gente descobriu que a tiazinha do cachorro-quente ainda está lá também, graças a Deus. Nós estávamos muito preocupados.


 Se você tiver um tempinho e em algum momento, pensou como poderiam melhorar os já esgotados centros urbanos com materias abundantes, veja esse vídeo, time-lapse fotográfico do Cashel Mall sendo reconstruído com contêiners de exportação. Fantástico.