terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Estar de férias

Eu estou escrevendo esse post diretamente do meu quarto de solteira, na casa dos meus pais, em São Paulo, SP, Brasil sil sil e pra piorar, hoje começa oficialmente nossa última semana de férias.

Essas férias começaram diferente. Nós compramos passagens, coagidos e subsidiados por mamis e papis, em agosto, mas na mesma hora decidimos que haveríamos de surpreender alguém com a nossa presença. A escolhida foi a cunhada, que é incansável na sua luta de nos ver e abraçar. Só que né, com a globalização da informação, era praticamente impossível surpreender a cunhada que mora em Águas de São Pedro se qualquer pessoa de Águas de São Pedro soubesse que estávamos indo, porque ela é imensamente popular e querida. Fui boicotada do Facebook e do blog também, nem aparecia nas ligações do Skype pra não explodir de segredo. Tive que mentir pra ela que amo, pros outros irmãos e pra muita gente nesses últimos meses, mas só de ver a reação dela e o choro em cadeia no Guarujá o dia que finalmente aparecemos lá, eu acho que eu não vou pro Inferno por essas mentirinhas. Meus pais sabiam, meus amigos de SP sabiam e foram avisados pra não abrir o bico, a sogra soube e não abriu o bico, a operação "Vamos Matar a Sandra do Coração" deu certinho no final!



Essas férias foram curtas, sem o frenesi de antecipação e com Natal e Ano Novo familiares no meio, e muita gente nem soube que estávamos aqui até que o momento de ir embora apareceu na esquina. Nós viemos na surdina e vamos embora com muitas deliciosas lembranças.

Nós trouxemos presentes e muitos planos de ver, fazer, acontecer e tentar lembrar que estamos de férias onde todos estão na rotina. Descansar e recarregar com amor e amigos, comer, beber, não cobrar nada de ninguém. Viemos também com a intenção de não julgar, não comparar e esses falharam miseravelmente. Como não querer que o lugar onde mora o seu coração seja melhor pra todos? Como não desejar pra todos a vida calma que levamos?

Outro planos falharam igualmente. Ao invés de correr atrás da renovação da carteira de habilitação, corremos atrás de sorveteiro na praia. Tentamos visitar todo mundo, mas também corremos do agito e bebemos água de coco. Conhecemos Joanas e bebês lindos, mas outros vão ter que ficar só em fotos. Matamos a vontade de sorvete Kibon e a saudade de ser só filha e filho. Consertamos chuveiros, faróis do carro, cabelos feios e unhas mal-cuidadas. Passamos calor - pelamordeDeus, quem guenta? - Fomos muito ao supermercado, demos risada até dobrar, jogamos os planos feitos pela janela e eles devem estar até agora lá na praia, escaldados. Usamos shorts curtos sem dó e tomamos sol na sombra, pq na NZ sol faz mal e isso eu não esqueço nunca. Fomos no dentista que é o castigo das férias e fizemos algumas comprinhas que não sou de ferro.

Faremos na volta uma escala rápida em Dubai, um dia só, uma chance única de colocar o desconhecido na nossa história e expandir o nosso mundinho. Nossa chance de relembrar ser marido e mulher depois de ser filho, filha, irmão, tia, bff, nossas férias das férias pra voltar à realidade.

Como sempre, nos surpreendemos ao sentir no calor dos abraços, a saudade que deixamos pra trás e o amor que nunca acaba. E mais uma vez soubemos que o tempo aqui passa tão rápido, nunca vai ser suficiente pra tapar os buracos, alcançar as conversas ou substituir a lonjura das escolhas que um dia fizemos.

Aproveito pra pedir desculpas se não conseguimos nos encontrar, eu juro que estava nos planos e se pudéssemos, teríamos alugado um helicóptero pra ir mais rapidamente de um lugar pro outro.

Meu plano agora é não chorar muito no aeroporto, mas pelo histórico da viagem....num sei não.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Culpa e responsabilidade

Acordei hoje e encontrei no Facebook uma avalanche de fotos e protestos e reclamações sobre a depredação do Aeroporto de Cumbica feita pela Gaviões da Fiel durante a despedida do Corinthians rumo ao Japão.

A notícia está aqui ó: notícia

E aí eu passei a manhã inteira remoendo esse assunto, matutando, pensando, até que não aguentei mais e tive que vir aqui escrever, então perdão se eu digressar um pouco, mas pensei bastante e tenho muito o que dizer sobre esse assunto do qual particulamente não sou fã.

Fã. Fanático. Hum.

Eu nunca fui fã, nunca fui torcedora e sinceramente, até hoje tenho dificuldade em entender a regra do impedimento, apesar das muitas tentativas do pai corintiano. Porém contudo todavia, entendo perfeitamente o torcedor e a relação dele com o time. Só que no meu vocabulário tem outro nome. Se chama "religião". E como qualquer religião, tem quem siga, tem quem goste, tem quem nem ligue e tem o fanático. Você torce/ reza/exorciza os demônios, você presta atenção na missa/jogo/culto, você dá seu rico dinheirinho pra comprar banco pra igreja/entrada do estádio/carro novo pro pastor, você espera que um poder superior ouça suas preces/coloque a bola na rede/corte seu cabelo, mas na verdade você tem ZERO controle sobre o resultado. Na alegria ou na tristeza.

ZERO. E é essa "questã" que me deixa bastante irritada. Na religião, você reza pra um poder superior que é invisível e tem fé que o Invisível vai fazer alguma coisa pra você não passar fome, mas racionalmente sabe que no final das contas, quem vai na padaria buscar o pão é você e o dinheiro pra pagar o pão saiu do seu bolso. Total controle sobre o resultado, certo? Você poderia, inclusive, comprar um pão doce de chocolate com banana e ser feliz, que ninguém iria te impedir.

No futebol (e no esporte em geral), além de rezar e/ou torcer, você aí, sentadinho na frente da tv, não tem nenhum controle. Sinto lhe informar, mas a sua meia fedida que não é trocada desde 1984 porque dá sorte, não dá sorte coisa nenhuma. Quem tem sorte não é você, nem o time. É o jogador, o milionário que está lá TRABALHANDO, correndo que nem um tonto com uma bola no pé. É só deles a culpa e a responsabilidade pelo resultado do jogo. O salário milionário que você aí, da meia fedida, direta ou indiretamente está pagando.

Repito, ele está lá trabalhando. Esse é o emprego dele. Não é vocação dos padres, não é dedicação de professor, não é amor à camisa (pfff...), é amor ao dinheiro que paga as contas dele. Se ele é bom e se ele é feliz, ponto pra ele, só pra ele. Por algum acaso vc faz torcida pro carinha de TI quando ele vem consertar seu computador? Ou chora quando a moça da padaria sai da padaria pra trabalhar na farmácia? O milionário do carrão, o seu bezerro de ouro, não está fazendo mais do que a obrigação contratual dele, como eu, você e o cobrador do ônibus. Largue a mão de ser tonto você também e vai cultuar o carinha do TI que você ganha mais.

O meu ponto é: se os jogadores - e o clube - tem a responsabilidade de ganhar ou perder e se o torcedor é o bem mais importante do time segundo eles próprios, por que até hoje a lei não colocou em cima dos clubes a responsabilidade de mudar essa mentalidade neandertal de "quebrar tudo na alegria ou na tristeza" ?

QUEBROU, PAGOU. Se alguém tem dinheiro aí no Brasil, são os grandes times de futebol, as torcidas organizadas e a CBF, certo? Tem que ser lei, tem que ser praticada e tem que ser todo dia e toda cadeira do estádio e todo papelzinho de bala no chão. Nao dá pra eles quererem lotar o estádio ou fazer um acordo trilhardário de publicidade e depois tirar o bundão da reta e falar que o "torcedor não é minha responsabilidade". É sua responsabilidade sim, dentro e fora do estádio, enquanto o energúmeno está torcendo e falando em nome do time, com ou sem camiseta. Por que o medo de botar a culpa no bois certos?

E se a língua que todo mundo entende é a lingua do bolso, por que não mostrar pro energúmeno torcedor que, se ele não sabe controlar a sua frustração de não ter controle sobre o resultado do time, se ele não sabe controlar o instinto primal de quebrar o caminhãozinho do colega no parquinho, se ele quer bater no cidadão por causa da cor da camisa, se ele é grandinho o suficiente pra sair de casa sem fralda mas quer quebrar a estação de metrô que ele usa por que o time perdeu ou ganhou (haja terapia no mundo pra ensinar a lidar com as emoções..), ele vai ter que pagar.


Deve-se criar uma campanha clara e popular, financiada pela CBF com apoio e incentivo das torcidas, com os bezerros de ouro jogadores explicando, em português claro e chulo se necessário, que pra cada cadeira, cada cone, cada extintor de incêndio novo que a CBF tiver que pagar, o preço do ingresso vai subir. O preço da mensalidade da torcida organizada vai subir. O preço da camiseta oficial vai subir.O preço do metrô vai subir. O preço do cachorro quente na porta do estádio vai subir. E que a culpa, meu amigo, é SUA. É do torcedor, da massa anônima e sem rosto. Não me importa que você, da meia fedida, não fez nada, estava em casa comendo o que sobrou do pernil do almoço e coçando a picada de pernilongo na perna. Pode reclamar à vontade.

Da próxima vez, alguém vai denunciar o cretino que começou a briga, que pegou o tijolo, que xingou a mãe alheia. Por que está mexendo no meu bolso, no seu bolso, no presente de Natal do netinho que mal e mal tá dando pra parcelar.

Ou da próxima vez, ao invés de xingar o outro no facebook ou pela janela, você não vai falar nada, pq eu Maria Fernanda, não estava dentro do campo correndo que nem tonta atrás da bola, logo, eu Maria Fernanda, tenho ZERO controle sobre o que aconteceu, com ou sem meia fedida.

Coragem, o Brasil precisa de coragem, de clareza, de transparência e de responsabilidade. E aprender a lidar com as frustrações da vida.


P.S. Esse assunto me deixou tão nervosa e com tanto a dizer que tive até que optar por não dizer o quanto um país pode aprender do esporte. E como pode ser diferente sim, sem violência, mesmo que o esporte em campo seja o mais físico possível. Como o rugby.





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A falta que faz...

um lazarento.
Em todo o meu conhecimento da língua inglesa, não há nenhuma palavra que possa substituir satisfatoriamente o "lazarento".
Tem umas que servem, é mais ou menos igual, você me diz. Mais ou menos igual, é assim que a gente se acostuma com a vida.

"Saudade" é mais ou menos igual a "I miss you heaps". "Criatura!!" é mais ou menos igual a "Man!" ou literalmente "creature", mas não tem a mesma força expletiva. "Minhanossasenhoradochuveiroelétrico", demoraria mais pra explicar o contexto do que pra achar uma expressão mais ou menos igual. Como traduzir a "fartura" da geladeira?? O português é mais emocional, mais expletivo, mais rico e criativo, o inglês é preciso, simples, fácil de ser reduzido e comido pelas novas gerações, poucas palavras significam tantas coisas que eu me pego perguntando se eles tiveram preguiça de inventar mais substantivos e resolveram se virar com essa meia dúzia mesmo.

Em compensação, a recíproca é também verdadeira e apesar de todo o lirismo do português, uma ou outra palavra faz falta. "To yearn", verbo que significa desejar profundamente, é muito mais profundo, muito mais intenso que "desejar" ou "querer". É um desejo que vem de vidas anteriores, dos recônditos da alma, de amores perdidos.

Li um artigo uma vez que dizia que a nossa língua principal dita a maneira como vemos o mundo mais profundamente do que imaginamos, por exemplo, se "cadeira" é um substantivo feminino, tendemos a ver a cadeira como um objeto "menina" e utilizamos adjetivos que reservaríamos a mulheres.

A minha mente é uma confusão infinita de inglês e português e eu me preocupo com a minha geração, que já é bilíngue desde o útero, como vemos o mundo, como nossos filhos verão o mundo. Seremos capazes de utilizar duas línguas para suprir buracos em cada uma, buscar no inglês o que falta no português e vice versa? Que língua falará o mundo em duas ou três gerações? Se pai e mãe falam português, mas a criança nasceu na NZ,  qual é sua língua materna? Qual o método de ensino dessa criança? Por que "sale" é mais bonito que "promoção" na vitrine? Quem disse? Por que o teclado do meu computador involuntariamente volta pro inglês se eu insisto em usar cedilhas??

Enfim, eu me preocupo com essas questões de ordem mundial, mas no fundo no fundo, sei que pra lazarento, não há tradução. De vez em quando faz falta um lazarento.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dia dos namorados


Ontem foi dia dos namorados ai no Brasil e isso tornou a internet um poço sem fim de slides melosos, logo, eu fui subliminarmente induzida a escrever esse post. (OBS: caso vc tenha reparado na existência de acentos e cedilhas, eu peguei meu laptop de volta e estou feliz da vida. Obrigada Darryn de Ashburton!)

Dia 1 de julho nós faremos 7 anos de namoro "corrido". Soma-se a isso mais uns 18 meses separados e 6 meses do namoro inicial, dá uma bela porção de tempo que somos um casal. Nunca fomos um casal mais ou  menos, indeciso, em cima do muro. Tenho a impressão que casamos no banquinho da avenida em Águas de São Pedro numa noite enluarada muitos milênios atrás.

A fase de grandes gestos e declarações de amor passou, assim como passou a insegurança, o ciúmes, a distância.  Nós não lembramos mais quem ganhou o que de presente ou mesmo se ele me deu flores no dia dos namorados, no natal, no aniversario, já passaram tantos que perdemos as contas. Agora contamos em horas o tempo que falta pra sermos mais.

Tanta distância já percorremos, ele no volante, conversando sobre "e se"s da vida. E se eu tivesse desistido de voltar pra Águas? E se ele nunca nem tivesse pensado em cozinhar? E se antigas paixões reaparecessem? Será que a vida se encarregaria de encontrar-nos de novo, lá pra frente, casados, cansados, infelizes?

Não há paixão arrebatadora que dure para sempre, mas há chama que nunca se apaga, de madeira dura, sólida, perfumada, sábia, madeira que contrói esse amor calmo e tranquilo. Seguro.

Eu sei que ele me ama porque quando estou no presa no trabalho ele lembra de gravar The Big Bang Theory e 2 Broke Girls pra que eu assista depois. Quando eu estou comendo aveia de manhã, ele me lembra de tomar um café, senão vou ficar com dor de cabeça. Quando ele se desdobra em oito pra me fazer uma surpresa e comprar um pingente pra minha pulseira, mas a vendedora da loja liga pra confirmar a entrega e ele fica bravo, porque eu atendi o telefone.

Ele sabe que eu o amo, porque faço um sem-fim de consultas médicas e telefonemas pra ter certeza que o dedão do pé dele não vai cair. Porque agora compramos mais vegetais e frutas do que bolachas e chocolates no supermercado. Porque nunca falta roupa limpa e almoço pronto. Porque eu nunca encosto meus pés gelados nele quando entro na cama à noite. Porque eu entendo tudo o que ele diz em conversas totalmente mudas.

Porque no dia dos namorados nós voltamos pra casa e sem muito discutir, concordamos em jantar mistos-quentes e enquanto ele fazia os sanduíches, eu fazia a salada e nos encontramos na coca-cola, como uma dança bem ensaiada, coreografada com risadas e discussões, musicada com uma composição totalmente inédita, uma harmonia milenar, confortável e linda.

Assim eu sei que ele me ama, como eu sei que o amo com tudo o que há dentro do meu coração.

Porque nós nos casamos há milênios atrás, num banquinho da avenida em Águas de São Pedro com a lua como testemunha, mas seremos sempre namorados.

Amo você, meu amor. Muito muito.

sábado, 9 de junho de 2012

As Maes Joanas

Primeiro: Parabens pro meu pai!! Eeehhh!!! UHHUUUU!! Ontem foi aniversario dele e eu espero que ele tenha comemorado bastante e ganhado mtos presentes. Do outro filho, pq essa daqui comeu bola e nao mandou nada =(

Segundo: momento mimimi. Eu quero ir viajar tambem. Ta todo mundo indo. Pq qualquer lugar. Eu tb quero e essa NZ eh mto longe de tudo e as passagens pra Qualquer Lugar sao carissimas. Pros outros lugares tb! *batendo o pe no chao e fazendo bico* ............. Pronto, passou o mimimi.

Ok, vamos ao assunto entao, pq esse post ja ta pra sair faz um tempao e agora estou sendo ate cobrada! =)


Era uma vez uma rede social agora defunta, era uma vez uma moca que estava noiva e planejando seu casamento a distancia, era uma vez muito tempo sobrando, muito frio e uma internet que vinha por um stick sem-vergonha no laptop velhinho.

Foi uma vez uma magica, um acaso, um milagre que colocou essas 18 meninas noivas ou casamenteiras na mesma comunidade, com esse unico misero fio de assunto em comum.


Nao da pra explicar e se vc me perguntar como aconteceu eu vou falar que foi a mao de alguem la de cima que comecou tudo isso, porque eh a unica coisa que faz sentido.

Como essas 16 a 18 mulheres, agora casadas e com filhos, morando em pontos distintos e distantes nao so do Brasil, mas do globo, se encontraram, da primeira vez ainda noivas e de novo na rede social atual, e nao se largaram mais e agora sem sombra de duvida, sao amigas. Mais do que amigas, somos comadres, moramos na mesma vilinha imaginaria, tomamos cafe nas casas alheias, brincamos com os bebes, com os cachorros.Tirando esse pequeno, minimo detalhe, que nunca nos vimos.

(Ok, nunca eh exagero, pq aquelas que moram em SP ja conseguiram fazer encontrinhos e ja ouviram as vozes das outras e ja abracaram e ate atestam que uma certa advogada eh muito da cheirosa.)

Eu aqui, longe de todas e 15h na frente, so consigo ir dormir depois das 22h, quando uma certa doida da bom-dia no fb que nem um relogio cuco e quando eh feriado ou fim de semana, eu fico ate perdida, sem saber que horas sao. Eu pego o bonde andando, a rabeirinha das conversas e o horario de ir dormir de todas, ate da outra Joana internacional, la dos esteites, que foi a pioneira em publicar videos pra gente poder ouvir azamiga ao inves de imaginar a voz e o sotaque.

Na casa, a gente sabe quem ta na rua, quem ta na loja, quem ta passeando, quem ta precisando de uma forca pq foi fazer exames ou esta entregando tese. A gente da palpite na reforma, palpite na janta, palpite na faxina, palpite ate no palpite, se deixar!

Essas 16 mulheres fortes dividem suas vidas, seus pesares, suas alegrias, suas receitas, suas brigas com os maridos, suas dores do parto, suas perdas, doencas, compras, dicas de viagem, sonhos e uma fe inabalavel de que tudo vai dar certo no final, porque nos estamos todas juntas em pensamento, em coracao, criando uma corrente de positivo que vai da NZ pro Maranhao pra SP pra Campinas pra Uchoa city pra Osasco pra Lapa pra Georgia USA pra Santa Barbara D`oeste pra la e pra ca, carregando maos virtuais que apoiam e levantam.

Damos amem para o correio que entrega mimos e agrados, surpresas inesperadas num dia caotico. Nos somos e estamos para apoiar umas as outras, pra dizer que juntas somos melhores, pra espelhar qualidades que nem sabiamos que tinhamos. Para despertar talentos escondidos. Pra curar os males do coracao. Pra celebrar as boas novas.

E como celebramos os bebes da Casa, todas as tias Joanas apertam, beijam, mandam presentes muito reais, amam de longe os sobrinhos conhecidos por fotos. Celebramos os novos bebes, as barrigas, as tentantes e ate as sonhantes.


A casa da Mae Joana eh nossa vila imaginaria, onde visitamos umas as outras e conversamos regularmente sobre tudo, mas de alguma maneira misteriosa, os topicos descambam e invariavelmente alguem vai falar de sobremesa, mesmo que todas estejam, em algum momento esquecido, de regime.

Eu agradeco todas as mulheres da casa que fazem da minha vida um pouco mais leve, mais divertida e mais normal, como se eu nao morasse no fim do mundo.
Eu agradeco a Deus todo dia, pq com elas eu sou melhor.
Amo muito.



P.S. Nao tenho nenhuma foto pra ilustrar esse post. Sorry.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

The Oaks

 Update da situacao computadoristica la de casa: o laptop HP foi pro Brasil pra tentar ser consertado la, na HP se eles forem caridosos ou na Santa Efigenia se tudo falhar. O outro laptop antigo, Acer, que ja havia passado por uma batalha interminavel pra ser consertado dois anos atras, voltou pras trincheiras e passou por outra batalha de Acerloo pra ser consertado de novo com o mesmo problema anterior,  mas dessa vez de graca e com os custos de postagem pra Auckland cobertos por eles, pq pela primeira vez na historia do universo, uma empresa admitiu que estava errada e concedeu o reparo que estava dentro da garantia.

Porem contudo todavia, ele ainda estava meio capenga quando voltou entao esta atualmente passando ferias no nerd de Ashburton pra ver se melhora a velocidade e o som. Oremos.

Estou falando tudo isso para perder leitores primeiramente me desculpar pela falta de acentuacao apropriada, pela demora em postar nesse blog de novo - vide a promessa que eu fiz alguns posts atras - e pra contar de onde eu estou escrevendo nesse momento. 

 The Oaks of Darfield. Eh onde eu trabalho agora. Se vc me tem no facebook, ja ouviu esse nome por la. Fui eu que criei e comando a pagina deles. Eh uma Bed & Breakfast de 3 quartos e um restaurante classico de 30 lugares.
Comecou com um convite da Sheryl. Ela trabalhava comigo no Terrace Downs e saiu de la com esse sonho de abrir uma pousada e restaurante em Darfield, juntamente com o marido Tom e com o ex-chef Stuart, tambem do Terrace Downs. Eles alugaram entao essa propriedade historica, localizada na frente na nova fabrica de leite da regiao - que ainda esta em contrucao e traz muitas pessoas para a area.
 Eles reformaram a casa, a cozinha, escolheram item por item com carinho, construiram cerca, fizeram quase tudo com as proprias maos e muita esperanca. Eu ja era item garantido ha muito tempo, desde a primeira vez que eles mencionaram, eu ja pulei no projeto e pronto, to dentro. Porque eles sao fantasticos em suas habilidades profissionais e porque a gente se da super bem junto, sem stress, com muita conversa e muita risada e muita musica. Ainda bem, porque eu sou toda a equipe: a banda de uma Maria Fernanda so.
 La no final de fevereiro a Sheryl me ligou e falou vem que ta na hora. Ai eu vim. E fiquei, e vou ficar ate eles encherem o saco de mim, porque eu finalmente me toquei (Aleluia terapia) que, independente do que o mundo diz sobre o que deveriamos estar fazendo da vida, nos temos que fazer o que nos faz feliz e o que nos realiza apesar do dinheiro. Eu nao tenho vergonha de dizer que, aos 28 anos eu sou garconete. Porque eu sei que sou muito mais do uma garconete. Eu tenho total envolvimento com o restaurante, tenho autonomia, tenho poder de decisao e de veto. Sou garconete, lava-louca, gerente do restaurante, bartender, cumim, ajudante de cozinha, gerente do departamento de marketing e midias sociais, florista, comentadora de assuntos diarios,  escolhedora de musica ambiente, barista, assistente pessoal, camareira, escritora de cardapio, somellier, fotografa oficial, recepcionista, estoquista, coordenadora de casamentos, salvadora da patria, tecnica de IT, boleadora suprema de manteiga. Eu lavei na mao cada item que esta hoje no restaurante, cada colher, cada taca.
 Descobri a formula magica de ter um negocio do coracao sem ter um tosta. Nunca fui empreendedora e nunca quis ter um negocio so meu, mas aqui eu invisto meu tempo, meu carinho e ate meus trocados, porque em nenhum outro lugar eu poderia ficar de pantufa e calca de moleton o dia todo. E dormir no office - tenho a minha propria cama. E ter acesso irrestrito ao laptop, a cozinha e ao bar. E so trabalhar 3 dias por semana. O lado ruim eh que eh longe da minha casa, entao eu venho e fico aqui no fim de semana, para o imenso desgosto do marido e do cachorro. Hoje, por exemplo, eu fiquei presa por causa da neve e daria meu braco esquerdo pra poder voltar pra casa.
Acho que eu escrevi esse post todo pra dizer que estou profissionalmente feliz e satisfeita, porque sinto que as pessoas me veem so como dona-de-casa. Sou eh sortuda: dona de casa 60%, Super Maria, FB genie de The Oaks of Darfield 40%.  Infelizmente meus colegas de trabalho nao vao ler isso, mas eu sou imensamente feliz aqui. Espero que eles nao cansem de mim tao cedo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

HP SUCKS!!

Meu laptop novo morreu, do nada, semana passada. 4 semanas depois de vencida a garantia do mesmo. O tamanho da minha raiva pela HP e todos os seus produtos nao pode ser medido em palavras. Eu teria que comecar todo um novo vocabulario e sendo uma moca de familia, uma dama nao fala essas coisas que eu ando pensando.

O que eu queria mesmo era roubar o controle remoto do CEO da Hp e ficar passando na frente da casa dele so pra mudar o canal.

Na impossibilidade geografica disso acontecer, eu divido com vcs o singelo email que mandei, atraves de papis, para a assessoria de imprensa deles e peco que, se alguem tiver conexoes ou for da imprensa e precisa de pauta ou se quiser fazer uma boa acao, divulgue minha "causa"!

Ou simplesmente leia o meu desabafo e partilhe da minha frustracao!

" Prezado senhor,
O email que meu pai mandou anteriormente falha em transmitir toda a minha revolta com a marca Hewllet-Packard e o porque de estarmos buscando a imprensa nessa caso. Veja so: esse laptop foi comprado no final de fevereiro do ano passado. Na epoca, ele era o top de linha da HP e quase o computador mais caro da loja. Foi comprado a vista, baseado na confianca que tinhamos na marca, com a esperanca que um produto tao bom e tao caro durasse tempo suficiente para recuperarmos o investimento feito. Nao sei vc, mas eu nao tenho $3400 todo ano disponivel para trocar de laptop. Meu carro aqui na Nova Zelandia custou $1.800 dois anos atras e ate agora nao deu problema nenhum.
Esse laptop nao e o meu primeiro computador, eu nao nasci ontem e depois de algumas dores de cabeca anteriores, nos aprendemos a licao. Esse laptop funciona perfeitamente, sem lentidao. E usado para texto, facebook, skype. Nunca foi superutilizado, ninguem joga games ou passa horas assistindo videos; eu fazia back-up, limpeza e desfragmentacao regularmente. Desligado toda noite. Eu pago Norton antivirus para evitar problemas e ele nunca detectou nada. Ele mora em cima de um cooler - depois de uma experiencia anterior com super aquecimento da placa mae - 24h por dia. Nunca e usado "no colo", somente em cima da escrivaninha. Nunca caiu, foi batido ou mesmo viajou, alem de ter saido do Brasil. A bateria durava mais de 3h em uso.
Nao existe NENHUMA explicacao plausivel para a falha apresentada. O tecnico me disse, envergonhado, que essas coisas simplesmente acontecem. Eu estava no meio de uma ligacao com a sogra no skype quando o computador escureceu, desligou e nunca mais ligou. Sem sintomas, sem super aquecimento, sem nada. Um computador de 13 meses de idade.
Eu lhe pergunto: qual outra explicacao, alem de ma-fe e mediocridade da HP existe para a falha do meu computador? Porque o tecnico nao encontrou nenhuma. O que ele encontrou foi um preco de $1200 a $2000 para trocar a placa mae e o processador. que tambem deve estar morto, porque normalmente quando a placa mae queima, ela leva junto o processor, mas nao da pra saber ate consertar a placa mae. Voce tem $2000 sobrando pra consertar meu laptop? Aposto que o CEO da HP tem, mas ele deve usar um MacBook. Se eu fosse ele, teria vergonha tambem.
A cereja do sundae e a seguinte: isso tudo ocorreu 4 semanas apos o termino da garantia internacional. 4 semanas. 4 semanas e a HP da Nova Zelandia, atraves do tecnico, me disse que nao ha nada que eles podem fazer, exceto me aconselhar a comprar um laptop novo, porque nao vale a pena consertar.
Voce gostaria de jogar o seu carro no lixo 4 semanas depois de encerrada a garantia? Sua geladeira novinha, linda, aquela que faz gelo na porta e que vc trabalhou que nem um condenado pra pagar? Seu computador? Porque e o que eu vou fazer, visto que nao tenho dinheiro para conserta-lo. Vou jogar fora o dinheiro que estava na minha poupanca mais a ajuda do meu pai. No caminho da lata do lixo eu vou contar para todo mundo que eu encontrar essa historinha e rezar para que nenhum amigo meu compre outro produto da HP. Pros inimigos, vou recomendar a linha toda, pra eles passarem a raiva que eu estou sentindo.
Voce nao imagina o tamanho da minha frustracao e o desapontamento puro que eu estou sentindo em ter comprado um produto HP. Preferia ter comprado um computador frankenstein na Rua Santa Efigenia. Porque uma empresa desse porte paga um funcionario para produzir e vender um produto mediocre? Porque uma empresa de renome se presta a comprar ou produzir pecas sem qualidade?? E depois se esquiva da responsabilidade? Na minha familia, isso se chama falta de carater.
Estou enojada. Enojada e terrivelmente decepcionada com o produto que eu paguei tao caro e que nao vale nada. A HP deve pagar muito bem seus funcionarios, para acreditar que todos podem trocar de laptop todo ano quando acaba a garantia.
Garantia pra mim nao tem prazo de validade. Se voce acredita que produz um produto bom, vai colocar sua mao no fogo por ele ate o fim.
Obrigada por ler este email e entender minha frustracao,
Ponho-me a sua disposicao,
Maria Fernanda T M Macario "
 
Grata pela atencao! =)